Friday, August 29, 2008

Sou uma preguiçosa!

Meu querido amigo Pedro Setti Perdigão está a mochilar pelos arredores das Argentinas... e como tal, escreve um diário de viagem que envia aos amigos para que nós acompanhemos o seu percurso e suas peripécias.

Num dos e-mails, Pedro faz uma pausa, a meio da narrativa, para explicar que, antes de fechar a mala, uma pessoa deve parar e incorporar a Poliana (que é o ícone da easy-goingness, que beira a palermice). Só se deve sair de casa com a certeza de que alguma coisa (possivelmente tudo) vai sair diferente dos planos e que haverá perrengue.

Eu, que me acho uma pessoa sem a menor paciência (de Jó), que acho que sou explosiva e que fico facilmente com raivinha (especialmente de objectos e circunstânicias), cheguei à brilhante conclusão que, na verdade, eu tenho sim um quê de Poliana. Nas viagens (curtas ou longas) que faço, saio sempre de casa pronta pro que der e vier. Na verdade, nem gosto muito de ter tudo milimetrado (já basta ser psicopata no laboratório), porque quanto mais uma pessoa planeja, maior a chance de se decepcionar com o resultado final. E, pensando bem, fora as experiências que faço (que já me tomam 90% do meu tempo e da minha energia útil), NADA mais é planejado. Normalmente, decido o que vou fazer a seguir, em cima do laço, meu fim de semana é combinado na sexta-feira, decido o que vou comer quando chego ao restaurante... Se sim, sim. Se não, não. Whatever!

E nada disso é devido a uma fé cega em Deus (como é o caso da Poliana), ou por ter, finalmente alcançado a luz, sob a influência dos ensinamentos de Buda: a verdade é que sofrer cansa. Dá trabalho. E a mim, nem é a paciência que me falta... falta-me é energia! Tenho preguiça.

Thursday, August 21, 2008

O Tarot funciona!

Depois do suplício dos mosquitos e depois da lição do ácido xanturênico, nem parece verdade, mas encontrei oocistos nos mosquitos do cruzamento blablablablablablablablablabla blablablablablabla blablablablablablablabla blablabla blablablablablablablablabla blablablablablablablabla blablablablablablablablabla blablabla blablablablablabla blablablablablablabla e agora, os mosquitos vão picar os ratos e, se os ratos ficarem doentes eu já tenho garantido o material biológico para o meu doutoramento. Fantástico! Maravilhoso! Weeeeeeee

Ai, Marta... tinhas mesmo razão. Agosto é mesmo o mês... Que medo!

Monday, August 18, 2008

De repente, não mais que de repente...

Tudo que era mau ficou bom
e de todas as incertezas fez-se chão
da neblina fez-se luz...
(e graças a Deus que eu não sou poetiza, se não morria de fome!)

Mas já há visto, já há Brasil, já há férias... também já há pausa e quebra de paradigma, já há vida Paris Hilton, com pessoas Paris Hilton, na cidade Paris Hilton, ao alcance de um telefonema.

O final de Julho e início de Agosto foram marcados pela resolução, enfim!
E depois de tanta coisa que aconteceu em apenas 2 semanas, fui obrigada a accionar o desfragmentador de disco (do disco rígido do meu cérebro!). Porque eu ainda me surpreendo com as acções das pessoas... e pior, surpreendo-me ainda com as minhas reacções...

Wednesday, July 23, 2008

e o ratel sou eu??


Ontem descobri um animal fantástico: o ratel.

Também conhecido como honey badger, caça cobras nos altos das árvores e, mesmo velho e sem dentes, lutou durante 1h antes de ser morto por um leopardo.......

é melhor definido pela palavra tenaz.
Identificação automática!

Sunday, July 20, 2008

Junho foi e Julho já está quase...

Não sei porque cargas d'água eu, de vez em quando, meto na cabeça que tenho que me mover. Que fazer e acontecer. Que algo está mal e que tenho que fazer aquilo que faço melhor: RESOLVER.

Em Junho, então, DECIDI que haviam muitas pendências e que tinha que fazer alguma coisa. Enumerei tarefas, planeei datas e métodos. Fiz um plano de actividades, exactamente como fiz com os testes de droga e os ratinhos em Fevereiro e Março...
MAS o problema é que, (como apontou muito bem o Wanderson) quando o problema envolve mais que uma pessoa, já tem variáveis a mais e condições que fogem ao nosso controle...

E assim foi com a Task#2, a apresentação do meu trabalho, a Task#3 que era a resolução do visto, as Tasks#5 e #6 que são a comissão tutorial e a alteração do projecto... bem como as Tasks #1 e #4, que, apesar de tudo ter corrido como o planeado, tratam-se de coisas que não são e sim, vão sendo...

e cá estou eu, mais uma vez, de frente para a realidade de que as coisas (ao contrário das experiências com os ratinhos) não se definem, começam e acabam quando eu decido que é hora de RESOLVER.

...locked up inside of my loops...

Friday, July 11, 2008

Not Yet

Ah e tal, ok: fui ontem tratar do visto.


Não foi nem preciso me aborrecer. Disse calmamente que não achava justo pagar a multa e 1+1 são 2, a senhora do SEF conferiu e viu que estava tudo em ordem. Fiquei muito feliz.


Pois é, mas como não há doce sem acre, é a Casa da Moeda que emite o cartão de residência (que deve ser muito bonito e colorido, por sinal...) e isso demora, em média, 2 meses. Fantástico.


Mais dois meses com um recibinho (que dessa vez é branco!)... nada de Brasil... nada de Escócia.

Monday, July 07, 2008

Micróbio da Sociedade

Eu sou um micróbio da sociedade.

Tenho um relatório de actividades referente ao primeiro ano do meu doutoramento para entregar aos membros da minha comissão tutorial. Já vou a meio do segundo ano, e nada de entregar o relatório. Hoje passei pelo Coruja, que estava triunfante em relembrar-me deste facto. Ri-me sem jeito. Sou assim: relapsa... fazer o quê??

Recebi, finalmente a resposta do SEF quanto ao meu pedido da autorização de residência. Deferido. Pois, mas, para além da taxa do visto, tenho que pagar também uma multa por não tratar das coisas atempadamente. Uma multa porque o recibinho azul caducou......... Sou assim, já sabemos...

Venho pro laboratório e, não há ratos, não a Puedro... passo o dia todo sem fazer um caralho, pensando na hora de sair e ir pra esplanada. Está sol e calor. Dia de esplanada!

E acreditem, é só por má vontade que eu não trato das prendas e da organização de eventos............ porque, além de relapsa, sou assim: horrível!

Tuesday, July 01, 2008

Gígi

Ao debatermos o porquê do trabalho, os parasitas e as experiências falhadas serem capazes de exercer tamanho impacto no nosso humor.....


"Existem coisas piores na vida... mas a nossa vida é isto, pá..."

Sunday, June 22, 2008

a pedra

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.




Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.



Drummond

Tuesday, June 17, 2008

Wednesday, June 04, 2008

Eu sou o máximo, eu sei...

...a respeito da falta de continuidade dos projectos, no blog do Marco Aurélio.......


"Verdade é que as coisas, tal como o futebol, acabam quando terminam."


Há dias em que até eu me surpreendo com minha capacidade de ser palerma!

Chegou o Verão!!!!


At last....

Até o Destak diz que agora vai!!!
E todos nós queremos acreditar!


Mas pena que a meteorologia tem sido tão fiável quanto o horóscopo!

Tuesday, May 27, 2008

Chove??

Não, não. Faz sol!

E assim passam os dias de primavera em Lisboa: na dança indecisa das nuvens...


-mais uma para o annoyance-

Wednesday, May 21, 2008

Era uma vez o Gazela...

... que, entre outras estórias lendárias, um belo dia, disse a seguinte frase:



"Ainda está para nascer o filha duma puta que nunca há de nascer na puta da vida dele."



Fantástico.

Thursday, May 15, 2008

Puta que pariu pros medicamentos na alfândega!!

Daquele em que a vida é só annoyance...

Uma pessoa vive até os 28 anos para alguma coisa... e se há uma coisa que aprendi é que a vida não tem graça se não acontece nada. (um dia ainda conto aqui a lenda dos cães da pradaria...)

E o que dá movimento, e consequentemente, piada à minha vida é o annoyance constante. Que fique claro: annoyance não é, de forma alguma, sinónimo de problema. Problema tira o sono, faz chorar, subverte a realidade e o futuro. Fode o dia... o mês, o ano!
Annoyance não. Só irrita e gasta o tempo.
Não bastasse o meu telemóvel que só recebe mensagens da TMN, da Ford, do Jumbo, da Sacoor Brothers (a Natália diz que eu vivo uma vida dupla. Normalmente sou assim, com polainas às riscas. Nos fins de semana em que ela não está em Lisboa, eu visto-me com camisa de botão cor de rosa bebê, calça jeans clara e sapatinho moccasin...), no laboratório tenho que pensar em preencher formulários para a Direcção Geral de Veterinária, ler papers sobre mosquitos, lavar gaiolas de mosquitos (ao som de "Quando eu te falei em amor" e D. Rosinha a buzinar-me quanto detergente se põe na água), escrever no site do CMDT, publicar as fotos do meu aniversário no Malária Delirium, comprar uns headphones novos porque os meus foram com o caralho, analisar sequências, pensar em encomendas que nunca mais chegam e em verbas que nunca mais são atribuídas, a impressora que não imprime, a internet que é lenta, o computador que é do século passado, quando há merda não há balde, quando há balde não há merda, e quando há merda e balde é hora do café (que sabe a merda).................... boooooooooring!!!

Mas tudo isso é só annoyance. E o tempo escorre por entre os dedos.

Para o comentador(a) anonimo(a): outra coisa que já se deve saber antes de chegar aos 28: SEMPRE existe alguma coisa para reclamar!!!

Wednesday, April 23, 2008

Baygon, baygon, barata com sabão!!


Ontem comecei.... comecei, não! começamos!

De novo:


Ontem eu e Gisela começamos uma experiência com a mosquitada.


(e lá vamos nós às definições...)

Gisela é a pobre alminha que (finalmente) chegou para me resgatar da vida workaholic e dividir comigo as tarefas árduas da rataria e afins... e com o bônus de que ela é fixe!!! E jeitosa! Sempre bom passar o bastão (ou parte dele) para gente competente!

e a mosquitada... bem, tenho que fazer um cruzamento genético bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla haplodiplobionte bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla troca de material genético bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla blabla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla ......... e os parasitas vão ser resistentes a duas drogas diferentes, o que, em suma, vai ser o máximo.

Mas trabalhar com mosquitos é muito melhor que trabalhar com ratos! Porque, na vida real, os moquitos proliferam muito bem na água podre... já no insectário, tuuuuuuuuuuuuuuuuudo tem que ser muito bem controladinho! mas, como quando há merda não há balde e quando há balde não há merda............................ enfim, a vida é um desafio.......

Viva a Gisela, as latas de Baygon e os ventiladores!!



Sunday, April 06, 2008

A maçã

Uma vez, há muito tempo (psicológico) atrás, no meio da minha inocência de pessoa de 22 anos, eu cheguei à brilhante conclusão, somando a+b, de que a vida da ciência é um sacerdócio. No meio das minhas utopias, achava que não era certo tirar um doutorado ou mestrado pelo dinheiro da bolsa. Deveria ser um trabalho feito com dedicação total, abnegação, perseverança. E depois, não valia a pena. Mais valia trabalhar numa loja, ganhar o mesmo e no fim do dia não ter que pensar mais naquilo. Foi nesse momento em que eu desisti. Porque me conheço. Sei que não sou uma pessoa de sacrifícios. Ou até sou, se a meta estiver logo ali, bem a minha frente, piscando em neon roxo e verde.

Passou algum tempo e eu descobri exactamente o porquê de eu ser sim talhada para essa vida: preciso de um trabalho intelectualmente activo e desafiador. No qual eu tenha a noção de que construo qualquer coisa, e de que, depois de tanto trabalho, irei chegar a algum lugar. Mesmo que veja, claro como a água, que estou apenas tentando adicionar um tijolo a uma parede duma catedral que talvez eu mesma nunca veja construída. Não sei sequer a dimensão ou o aspecto final, mas sei que estará lá. E que fiz a minha parte.

Quem corre por gosto, realmente não se cansa. Ou pelo menos, não deveria. Essa é a diferença. Não há sacrifício, sai naturalmente. E é por isso que eu continuo feliz (apesar das poucas horas de sono). Isto é o que eu faço. É o que eu amo. Mesmo com a rataria aos sábados e domingos. Ininterruptamente desde Janeiro, quando me despedi em grande da vida Paris Hilton......

E cá estou eu, seleccionando parasitas resistentes. My pride and joy. Aquilo que me move: lâminas positivas mesmo em presença de droga!


...mas eu queria poder ir à Veneza no feriado de 25 de Abril... :-(

Wednesday, April 02, 2008

28-03-2008

(aqui vai esta foto porque pensei non-stop no meu paizinho que, ao ver esta combinação chocante, diria: que escrotidão!! hihi)

No dia 28 fiz 28 anos. Tanto 28 que até tenho medo da sombra ameaçadora de Saturno... Mas para já, ainda nem sequer vi a ponte... por isso, ainda não a atravessarei.

Fiz uma festa que, na semana passada, me custou tempo, energia e serviu, acima de tudo, para dar outra motivação aos dias que, por aqui pelas terras lusas, já ficam cada vez mais longos.
A festa correu muuuito bem. Parece que foi mesmo um sucesso. Eu, pelo menos, diverti-me. Muito. Mas eu era o DJ e isso explica tudo.

Mas o que se diz quando se faz aniversário e a idade não pesa? Realmente, 28 parece-me um número já grande... nunca parei para imaginar como seria estar aqui, quando, nos idos dos meus 13 anos, idealizava a vida adulta. Pensava nos 18. Nos 20 e poucos. Nunca pensei nos 20 e muitos... também, estava tão longe... Eu e os planos a longo prazo.

A verdade é que, com essa idade, meu pai tinha uma esposa e uma filha de 1 ano. Eu sou estudante e vivo numa casa com móveis que não combinam... Outros tempos, bla bla bla.

Whatever. Ainda acho graça aos cabelos brancos que se multiplicam. Acho-os irônicos. Assim como achei irônico quando aquele garoto de rua (que tinha a minha idade, ou talvez, um ano a menos, que fosse) chamou-me "tia". Porque eu não sou uma senhora. Não sou um adulto já perto dos 30. Eu sou...... eu.

Tuesday, April 01, 2008

Adele

Fantástico. Merece ser visto e revisto. Muitas vezes!!

Thursday, March 20, 2008

A não-fase

Existem alguns conceitos fundamentais a serem introduzidos/relembrados antes de eu começar este post...

O primeiro deles é o do não-lugar. Este é um do Pedro da Natália (engraçado referir uma pessoa com uma personalidade tão marcada utilizando outra como referência...). O não-lugar consiste nas estações do metro, no metro propriamente dito, em todos os similares (trem, ônibus, etc etc) e ainda no meio da rua, ou em qualquer lugar que seja apenas um caminho ou meio de transição para outro. Ninguém marca de encontrar ninguém nesses lugares, ninguém está lá simplesmente. Passam por lá, de passagem. (desculpem o pleonasmo....).

O segundo é a situação aeroporto. Aquela descrita pela minha querida e saudosa Vivian Rumjanek como sendo toda e qualquer situação onde o tempo que se tem é demasiado curto para se fazer o que quer que seja, mas também muito grande para simplesmente esperarmos enquanto ele passa.

Por último, vem o conceito da não-história introduzido no meu vocabulário pelo Zé, também conhecido como Vicentinho. A não-história é todo e qualquer conto, fábula, estória... que, ao invés de contar com um desfecho interessante, absurdo, fantástico ou, pelo menos, relevante, tem sim, um final. Sem qualquer adjetivo que o complemente. Um final que não torna a história digna de ser passada adiante.

Posto isso, agora finalmente começar a dizer aquilo que pretendia.

Depois de uma conversa ontem com minha sister, soulmate and counter-part Alcira, acho que já cheguei à conclusão do que significam esses dias... é a não-fase. Onde a maior parte do tempo é passado em situações aeroporto, dentro de não-lugares, culminando em looooongas não-histórias. Porque ninguém conta algo como: saí de casa, apanhei os transportes, cheguei ao laboratório, fiz o meu trabalho, saí quando terminei, apanhei os transportes, cheguei em casa, jantei e dormi. Alguém morreu? O biotério explodiu?? O metro passou por cima de alguma velhinha?? Não, não, não.

Então, quando as pessoas perguntam como foi meu dia, eu só respondo: Tudo bem.
E sorrio. Genuinamente.