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Wednesday, June 02, 2010

Dia 30...


... o blog fez 5 anos. CINCO!

Por aqui as coisas ainda não correm bem e eu já desisti de tentar entender se são proporcionais ou não ao sofrimento que causam. As coisas acontecem, planos A, B, C, D... J! E tudo sinergiza.

No momento presente, tenho a odisseia da mudança de Mém Martins para a casa nos Anjos. Como todos nós temíamos, as obras não ficaram prontas e não podemos ir para a casa nova. E temos que sair daquela onde estamos. Vou acampar por uma semana na casa da Houda, enquanto as minhas coisas ficam amontoadas num quarto de um outro apartamento no mesmo prédio... Fantástico.

A tese, o paper, o futuro, a casa, a ausência.
Muita instabilidade... e o tudo que corre no background.

http://www.youtube.com/watch?v=bPj7TxFGqzw&NR=1

I wish I can't remember...

Wednesday, May 05, 2010

Contos da Cripta V


Depois de sair do gabinete do Sr. Diretor, Maristela decidiu voltar a pé para casa. “Papai está no trabalho. Mamãe está sei lá onde. Eu sei o caminho.” Era uma tarde fria, chuvosa. Saiu assim mesmo e passados alguns minutos apercebeu-se de que não reconhecia o lugar por onde ia. As pessoas ao seu redor também eram todas estranhas e logo, quando a chuva apertou, escassearam-se até desaparecerem por completo. Agora sim, Maristela sentia medo, e logo permitiu-se chorar. A rua ficou muito íngreme, o vento, cortante. A chuva picava-lhe o rosto, como uma centena de insetos muito pequenos. Foi então que ela, simplesmente, parou. Pensou em sentar-se ali mesmo, no chão, a espera de alguém. Alguém tinha que se compadecer de uma criança ali, debaixo de chuva, naquela tarde tão escura. Alguém iria levá-la em segurança para casa.

Maristela olhou em frente. “Não.” 

Tirou o cabelo do rosto, enxugou, com as costas das mãos, as lágrimas misturadas com a chuva. Tornou a andar. O vento batia-lhe com força, mas ela, quase no mesmo lugar, continuava em frente. Para qualquer lugar… Suas pernas doíam, já não podia mais. Sua respiração entrecortada pelos soluços não lhe permitia apanhar o ar de que necessitava. Ela não abrandou. Convertia a dor daquele desamparo em energia para continuar andando. Para qualquer lugar…
A chuva parou por uns instantes. As lágrimas que marejavam seus olhos tinham secado e o que permitiu que ela visse três florinhas muito pequenas a saírem de uma fenda entre as pedras da calçada. Levantou a cabeça, com o coração a pulsar-lhe como se fosse rebentar.
Estava na esquina da rua onde morava. 

Tuesday, February 17, 2009

Contos da Cripta IV

Então, lá estava Maristela, mais uma vez, sentada na cadeira que fica de frente para a porta do gabinete do Sr. Director. Do alto dos seus 9 anos, tentava conter as lágrimas. Afinal, gente grande não chora. Olhava para a maçaneta da porta, para distrair-se. Conhecia cada detalhe daquela maçaneta. Não devia. Lembrou-se do ocorrido na semana passada. Deixara fugir o gato do Sr. Director. E ouvira o responso calada. Tinha-o deixado escapar, era facto. Não havia nada a dizer. Uma pena, porque até gostava dele. Do gato e do Sr. Director. Mas não havia meio de conseguir agradá-lo. Parecia que estava sempre na hora errada, no lugar errado.

Ouviu um ruído, mas ainda não era a porta a abrir-se. Maristela tentava não ter medo. Afinal, gente grande não tem medo. Sentiu uma dor forte no estômago. Pensou que tinha fome e lembrou-se dos biscoitos da avó. Tão doces. E neste momento, sentiu o estômago a contrair-se mais. Lembrou-se novamente do gato. "Tens de ter atenção às coisas que fazes! Ai de ti, se me aprontas mais uma!"E lá estava ela, mais uma vez...

Desta vez era a vidraça que se partira. Esqueceu-se da janela aberta, o vento deu-lhe com força e pronto... estilhaços de vidro espalhados pelo chão. Como podia ser possível?? Como assim ela nunca fazia nada direito?? Nem era pelo vidro. Nem era pelo gato. Era por ter que admitir, mais uma vez: errei. Ter de dizer mais uma vez: sim, foi culpa minha, desculpe-me

Sentia frio. Levantou-se mas não conseguia sair do lugar. Aquela maçaneta já merecia ser trocada... fazia demasiado barulho ao girar. E era dura. A porta abriu-se. De lá de dentro só se ouviu quando ele disse: "Podes entrar, Maristela."

Friday, January 30, 2009

Contos da Cripta III

Dos guiões da FCT para os guiões da TVI...

" - Acharam o corpo. Afinal quem morreu não foi o Pedro, foi o Cristóvão.
  - Ah... então foi por isso que ele não veio trabalhar hoje..."

Genial!


Tuesday, January 20, 2009

Contos da Cripta II

O Firmino estava no aeroporto com a Roberta. Ela queria mudar a data da passagem de retorno ao Brasil. Ele estava lá só fazendo companhia. A Roberta quer ficar em Portugal, arranjar um emprego. Mas está difícil! Ficaram na conversa. NO AEROPORTO.

Eis que surge um senhor muito normal, segundo o Firmino. O tal senhor vendia cuecas fio-dental e soutiens. 5 Euros cada peça. NO AEROPORTO. A Roberta agradece, diz que não está interessada. E o senhor afasta-se.

Passados uns minutos, o senhor volta e baixa o preço das cuecas, tentando cativar uma suposta cliente difícil. Frente à situação, sempre com bom humor (dito) característico dos brasileiros, a Roberta recusa mais uma vez e garante, apesar de se tratar de uma pechincha, não poder comprar uma vez que está desempregada. Inclusive, se o senhor conhecer alguém que ofereça trabalho, isso nós queremos! O senhor, que já estava triste e desapontado, iluminou o semblante: Aaah, se vocês precisam de dinheiro, por que não vendem drogas?? 

Abriu o casaco exibindo o produto. NO AEROPORTO.

Monday, January 05, 2009

Contos da cripta

E então que ele namorava com outra há 7 anos... um belo dia terminam... sabe como é, circunstâncias da vida.

Ele, em 5 anos de Universidade, limpou o quarto 3 vezes. Ele fala de gajas, bebe copos... é um javardo.

Daí que ele conheceu a Fátima e 6 meses depois, tinha a certeza de que ela era a mulher da vida dele. Era verão e tudo aconteceu depressa. Ela rapidamente se mudou para a casa dele, e passaram a estar juntos, decidir tudo juntos, almoçar juntos, ir juntos, voltar juntos.............................................................. os amigos dele não o reconheciam mais. Ao pé dela, ele era como que um betolas, um coninhas... é ele que lava, é ele que cozinha... é ele que aspira o chão e depois passa a swiffer.

Eis que ele toma a decisão: vou pedí-la em casamento. 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, ele convida-a para um jantar mega romântico. Ela não quis ir jantar fora, por isso, ele fez o jantar em casa. Luz de velas, comida afrodisíaca. Comprou um anel, ajoelhou-se e lançou a pergunta: Fátima, amo-te! Casas-te comigo? E ela:

- Pode ser...





Tema musical: eu vou-te excluir do meu orkut